
Evolução sócio-histórica dos sistemas de trabalho na cultura ocidental
Março 9, 2010O sistema artesanal de produção de bens e serviços é identificado com a produção manual de um artesão. Contudo, atualmente, permite-se o uso de certos aparatos de mecanização na produção artesanal, contanto que seu uso não descaracterize os principais aspectos sociológicos deste sistema.
É, tradicionalmente, de caráter familiar, estando o artesão em posse dos meios de produção, e realizando a produção artesanal em seu próprio domicílio. O artesão realiza todas as etapas do processo de produção. Assim, não há divisão do trabalho ou especialização para se efetuar determinado componente do processo de produção.
Às vezes, o artesão possui um ajudante e aprendiz. Isto é muito frequente no período da Baixa Idade Média em organizações como guildas, corporações de ofício ou corporações artesanais.
O sistema artesanal de produção vai perdendo sua hegemonia conforme a transição Feudalismo – Mercantilismo (Primeira Instância do Capitalismo), Baixa Idade Média – Idade Moderna, e Artesanato – Manufatura – Maquinofatura vai ganhando forma. Isto tudo culminará no modelo de produção Fordista do século XX; pois, a especialização e o monopólio dos meios de produção, iniciados nas Revoluções Industriais, adquirem seu nível máximo.
Manufatura é um processo de produção de bens e serviços em série padronizada, característica ampliada no Fordismo.
O processo pode ser manual ou utilizar aparatos mecânicos. Para obter maior volume de produção é aplicada a técnica da divisão do trabalho, onde cada trabalhador executa apenas uma pequena porção da tarefa. Assim, especializa-se e economiza movimentos, o que vai conferir maior velocidade de produção.
As manufaturas surgiram durante a I Revolução Industrial, no contexto de pequenas oficinas já com produção em série, porém com trabalho praticamente manual. As fábricas ou indústrias tinham porte e mecanização muito maiores. Atualmente, não há mais esta distinção, e o termo manufaturado é sinônimo de industrializado.
No contexto da economia, a manufatura inicia a hierarquização das forças de trabalho em mais qualificadas e menos qualificadas. Apesar de ser não-industrial, assim como o artesanato, a diferenciação de cargos e a produção em série surgem apenas com o advento da manufatura.
Na maquinofatura, ou sistema de produção industrial fabril, o proletariado estava submetido ao regime de funcionamento da máquina e à gerência direta do burguês. Foi nesta etapa, que se consolidou o período das Revoluções Industriais e se iniciaram os maiores controle e estudo das técnicas de produção. Isto desencadeará o Taylorismo, no final do século XIX, e o Fordismo, na primeira metade do século XX. A segunda metade do século XX tem, no Japão, o advento do Toyotismo, de caráter mais sustentável cuja importância é crucial no final do século passado e início deste.
Atualmente, devido à maior expressão que os movimentos de Economia Popular Solidária vêm apresentando, a cadeia produtiva artesanal com algumas intervenções esporádicas de mecanização tem se desenvolvido com um vigor cada vez maior, associado à busca crescente por sustentabilidade e à influência que o sistema Toyotista está exercendo no modo de produção da sociedade tecnificada pós-moderna deste início de século.